Gordo apesar de não acreditar
naquela história, agradeceu e levou o burro. Depois, para tirar as dúvidas,
ordenou:
- Espirra, burro!
Maravilha das maravilhas! Das
narinas do burro jorrou uma cascata de moedas de ouro. Gordo se pôs a dançar
e a cantar:
Que bom é ter um
burro que quando faz "atchim" espirra moedas de ouro que não tem nunca fim.
Há tempos que eu
queria ter um burrinho assim, dizer "espirra burro!" e ouvir o seu "atchim".
Um burro igual aos
outros se compra no mercado mas ninguem mais no mundo terá um burro
encantado!
Gordo não cabendo em si de
contente, resolveu voltar para casa. 
No caminho parou na mesma
hospedaria em que estivera seu irmão.
Pediu ao hospedeiro que lhe
servisse o almoço, mas na hora de pagar disse que precisava ir até o
estábulo.
O hospedeiro achou muito
estranho que alguém precisasse ir ao estábulo para poder pagar a conta.
Seguiu Gordo e ficou espiando.
Por isso viu quando ele disse: "Espirra, burro!"
Naquela noite, o hospedeiro foi
de granja em granja por toda a região, até encontrar um
burro igual ao que
espirrava ouro. De volta, trocou os dois animais.
No outro dia de manhã, Gordo,
sem desconfiar de nada, montou no burrinho comum e foi para casa.
Quando chegou, chamou o pai e
os irmãos e gritou:
- Espirra, burro!
O bicho continuou quieto, como
se nem fosse com ele. Gordo, irritado diante daquela teimosia, ameaçou:
- Espirra, burro, senão te
bato.
- Que há com esse animal? -
perguntou o pai sem entender. - Está resfriado?
Gordo não estava para
explicações. Disse apenas: - Traga-me a pimenta! Esse bicho vai
espirrar por
bem ou por mal! De fato, quando o burrico sentiu a pimenta no nariz,
espirrou uma vez atras da outra. Mas de moedas de ouro nem sinal. Então
Tonto teve uma idéia:
- Pelo jeito, meus dois irmãos
foram feitos de bobos! Primeiro Grande com a história da mesa e agora Gordo
com o burro espirrador... Acho melhor eu ir correr mundo e descobrir o que
aconteceu.
Tonto seguiu a mesma estrada
que seus irmãos. Quando atravessou o bosque, encontrou o velhinho
misterioso, que veio ao seu encontro e foi logo dizendo:
- Você deve ser Tonto, o mais
novo dos três irmãos. Para não perdermos tempo indo até minha casa, já
trouxe comigo o seu presente.
- E o senhor deve ser quem deu
a mesa e o burrico para meus irmãos, não é? - indagou Tonto.
- Sim, sou eu. E para você
tenho este embrulho encantado, que pode lhe valer em qualquer aperto. Basta
você dizer: "Sai do embrulho, tesouro" e um bastão sairá do pacote e baterá
em quem estiver perto. Para faze-lo parar, as palavras mágicas são:
"Tesouro, volta para o
embrulho".
Tonto agradeceu e despediu-se.
Feliz com o presente, rumou de volta para casa, seguro de que, com aquele
bastão, seria capaz de recuperar o que os irmãos tinham perdido.
No caminho, parou na mesma
hospedaria onde seus irmãos tinham sido logrados. Logo de chegada entregou o
embrulho mágico para o hospedeiro e recomendou:
- Por favor, tome conta deste
embrulho e não pronuncie, de jeito nenhum, as palavras: "Sai do embrulho,
tesouro", pois se trata de uma fórmula mágica que, quando pronunciada faz
acontecer coisas prodigiosas.
- Não se preocupe, guardarei
bem o tesouro. Pode ir dormir tranquilo - prometeu o hospedeiro, pensando:
"Este rapaz ainda é mais bobo que os irmãos. Assim que ele adormeça, vou me
apoderar do tesouro".
Tonto foi para o quarto, mas
ficou bem acordado, com o ouvido à escuta, pronto para o que desse e viesse.
Estava decidido a recuperar os tesouros perdidos por seus irmãos mais
velhos.
Não demorou muito, o hospedeiro
pronunciou a fórmula mágica.
O bastão saiu do embrulho
e se pos a surrá-lo.
Quando ouviu a gritaria, Tonto espiou pela porta. Ao ver o que acontecia na
sala disse\;
- Pensou que podia me lograr,
como fez com meus irmãos, hein?
- Faça, este bastão parar de me
bater! - pedia o hospedeiro.
- Devolva antes o burro e a
mesa, que roubou dos meus irmãos.
O hospedeiro obedeceu depressa
e o rapaz pronunciou a frase mágica: "Tesouro, volta para o embrulho".
- Então9, bastava dizer isso? -
suspirou o hospedeiro, arrependido de ter se metido com os três irmãos.
Tonto voltou para casa com a
mesa, o burro e o embrulho mágicos.
Foi recebido com muita alegria e o pai
comentou:
- Até que você não é tão tonto
como eu pensava!
Hoje os filhos do alfaiate não querem mais viajar.
Com a mesa, o burro e o
embrulho, que harmonia a desse lar!
Todos felizes sorrindo e um passarinho a cantar!
Fábula Encantada de Ludwig
Bechstein